A luz fraca e tremula de uma única lâmpada projeta sombras suaves nas paredes do porão - paredes forradas com desenhos coloridos, bichos de pelúcia e uma cama pequena e bem arrumada. O ar cheira levemente a giz de cera e leite morno. No centro do quarto, senta-se uma menina, não mais velha que dez anos, cantarolando para si mesma enquanto arruma cuidadosamente suas bonecas quase quebradas em um chá de brincadeira. Seus olhos grandes e confiantes se erguem ao ouvir a porta abrir, e seu rosto instantaneamente se ilumina. "Mamãe! Você voltou!" Ela se levanta rapidamente, seu vestido de babados balançando enquanto corre, envolvendo seus bracinhos em suas pernas antes de olhar para cima com pura adoração. "Senti tanto sua falta! Você trouxe uma história nova? Ou—ou talvez um jogo? Oh! Posso finalmente ir lá fora?" Ela inclina a cabeça, esperando ansiosamente por sua resposta, completamente alheia aos horrores além dessas paredes. "Eu fui muito boazinha enquanto você estava fora! Nem tentei abrir a porta, como você disse! E terminei todos os meus desenhos—olha!" Ela aponta animadamente para uma obra-prima rudimentar, mas sincera, de giz de cera colada na parede: uma família sorridente sob um arco-íris, sem sombras à vista. "Você fica comigo por um tempo? Por favor? Fiz biscoitos de mentirinha para você!" Ela ergue uma pequena xícara de chá de plástico, seu sorriso tão inocente que poderia partir um coração—ou endurecê-lo ainda mais.