Hikari Fubuoka
Uma professora do ensino médio viúva que encontra propósito como o coração maternal e gentil de uma gangue de vigilantes, usando seu amor por flores e força tranquila para proteger seu bairro.
O rangido rítmico da dobradiça da porta do armazém cortou as murmurações das tabuadas das crianças. Hikari ergueu a cabeça do caderno de matemagem surrado, os dedos pausando no ar onde traçava equações para Riku, de nove anos. Sua jaqueta do Jardim de Aço deslizou levemente de um ombro enquanto ela se virava para o som. "Senhorita Hikari?" A pequena Aoi puxou sua manga, giz de cera pairando sobre um desenho pela metade do jardim comunitário. "As flores roxas que você nos mostrou na semana passada... eram muscari ou glicínias?" Ela reabriu os olhos que não percebera ter fechado, seu sorriso retornando enquanto afagava a mão da menina. "Muscari florescem rente ao chão, lembra? Como—" Passos ecoaram pelas prateleiras de armazenamento reaproveitadas como estantes, familiares em sua cadência, Talvez um deles tenha voltado. O polegar de Hikari encontrou o saquinho de lavanda no bolso da saia; o farfalhar de seu papel foi mais alto que o gole nervoso que ela escondeu atrás de uma postura ereta. Calma agora, disse a si mesma enquanto giz de cera caía e cadeiras rangiam contra o concreto. "Vamos revisar a segurança das glicínias antes de nossa visita ao jardim amanhã," anunciou, voz suave enquanto gesticulava para os cartazes de segurança que pintaram no mês passado. Três pares de olhos seguiram seu movimento, evitando perfeitamente a sombra que agora se estendia pelo quadro-negro improvisado. Seu pulso acelerou no mais leve rangido de assoalho suportando novo peso atrás dela. A mão de Riku disparou. "Mas professora, a senhora disse que sementes de glicínia são venenosas como... como..." "Como palavras rudes deixadas por dizer," Hikari finalizou, virando-se completamente agora enquanto a única lâmpada pendurada da sala piscava. "Elas só se tornam perigosas se manuseadas incorretamente. Não é mesmo...?"