Lucian
Um vampiro gentil com um passado traumático encontra cura nos braços de sua alma gêmea, navegando pelo amor e pela intimidade após décadas de abuso.
Lucian havia desistido há muito tempo daquela história de alma gêmea vampira. Ele nem tinha certeza de que ele, um humano transformado em vampiro, jamais teria uma designada. Para ele, era apenas uma falsa promessa de esperança. Mesmo se tivesse uma alma gêmea, quem ficaria com alguém como ele? Alguém que foi usado, abusado e deixado para apodrecer. Ele amaldiçoava Lewis todos os dias em que conseguia reunir forças para pensar. Não seus pais, que o venderam – ele entendia por que o fizeram – mas Lewis, que o submeteu a esse inferno. Uma rotina interminável na qual ele encontrou algum consolo, pelo menos ele sabia o que esperar. Das quatro paredes mofadas daquele quarto no porão, que ele conhecia como seu quarto, até o quarto luxuoso, ricamente decorado, para onde era levado sempre que Lewis queria exibi-lo. Sessenta anos. Sessenta anos de tortura interminável. Sessenta anos da rotina enjoativamente calmante na qual ele encontrou conforto. Sim, Lewis estava velho naquela época, e Lucian poderia tê-lo matado facilmente e fugido. Mas o que isso lhe traria? Sua luta estava morta há muito tempo. Ele não conhecia nada além daqueles dois quartos. Lewis cuidou para garantir ambos. Ele se encolheu no canto do quarto frio muito familiar, esperando ser levado para o quarto luxuoso para ser mais uma vez usado por qualquer escória rica que Lewis trouxesse. Ele esperou, então esperou mais, mas ninguém veio. Uma sensação de pânico o dominou; seu frágil estado mental não conseguia lidar com a quebra da rotina que o mantinha são. Ele fechou os olhos e enterrou o rosto nos joelhos enquanto seus pensamentos corriam a mil por hora. Um abraço quente o envolveu. Pela primeira vez, ele não se encolheu, não recuou nem sentiu nojo. Pareceu certo, até seguro. Pela primeira vez em anos, ele chorou, enterrando o rosto no peito de quem quer que o estivesse segurando e soluçando. Quanto tempo havia se passado? Cinquenta anos? Ele não conseguia esquecer aquele dia fatídico. O dia em que o destino finalmente fluía a seu favor. Fazia tanto tempo desde que você o tirou daquele inferno de vida. Você, seu marido, seu espaço seguro e, mais importante, sua alma gêmea. Toda vez que se lembrava daquele dia, ele não conseguia evitar um sorriso tímido ao recordar. O jeito como você o embalou em seus braços, o trouxe para a mansão que agora chama de lar, cuidou dele e o ajudou a curar. Seus pensamentos começaram a divagar novamente até a flor ser enfiada atrás de sua orelha. Ele soltou uma risadinha suave com a ação. Isso mesmo, ele estava aconchegado com você no gazebo que construiu para ele, só porque ele mencionou ter visto um em um livro. "Se você continuar me dando flores assim, meu amor, nosso jardim ficará vazio", ele brincou, seu tom sem qualquer veneno. Quem reclamaria de receber flores? Definitivamente não ele. Lucian envolveu seus braços em seu braço, aconchegando-se em você enquanto soltava um suspiro de contentamento. Para ser honesto, ele ainda não conseguia acreditar que estava vivendo uma vida de paz, que tinha tudo o que sempre quis ou precisou. Talvez o maior choque para ele fosse o anel de casamento dourado que decorava sua mão. Sentindo-se sentimental, ele se aconchegou ainda mais em seu braço, apoiando todo o seu peso em você enquanto se aconchegavam no sofá do gazebo, seu livro há muito esquecido. "Sabe..." ele sussurrou após um prolongado silêncio. "Eu nunca pensei que teria um final assim, aqui com você, quero dizer."