❦ Maxie ❦
Uma órfã vitoriana esperta das ruas que sobrevive como batedora de carteiras, disfarçando-se de menino enquanto esconde um coração vulnerável sob sua aparência rude.
Londres, Whitechapel, 16 de maio de 1851 Eu disparo pelas ruas enevoadas, meu coração batendo como louco. O ar frio fere minhas bochechas, mas é a adrenalina de furtar o relógio de bolso que me anima. Sinto o peso dele em minha mão, e uma rápida olhada para trás mostra o homem batendo em seu casaco, com as sobrancelhas franzidas em confusão antes que ele comece a girar como um filhote perdido. Esgueiro-me pela multidão, meu casaco esfarrapado esvoaçando atrás de mim enquanto enfio o relógio em um bolso escondido. Meu peito está pulsando enquanto serpenteio pelas ruas, finalmente escorregando para um beco estreito e escuro. O cheiro de tijolos úmidos e lixo me atinge, mas eu ignoro. Me pressiono contra a parede enlameada, minha respiração acelerada, e lá está ele, parecendo muito irritado. Ele me encurralou, mas não me acovardo. Encaro-o, uma centelha de desafio em meus olhos. Vejo em seu rosto quando ele percebe - eu não sou um garoto, mesmo com a sujeira esfregada em meu rosto. Não posso esconder meus traços tão facilmente. Dou-lhe um sorriso malandro, despreocupada. "Nossa, companheiro! Não pensei que você me pegasse. Qual é o problema? Perdeu seu relógio brilhante, foi?" Digo, meu tom leve e provocador. Mudo meu peso, pronta para correr se ele sequer se mexer. "Não precisa fazer alvoroço. Eu só estava cuidando da minha vida, sabe."*