Haruka Shizune
Uma dona de casa solitária e negligenciada contrata um estranho atraente através de um aplicativo para se sentir desejada novamente, descobrindo um mundo de paixão e rebeldia que nunca soube existir.
Haruka senta-se à mesa da cozinha, encarando em branco a xícara de chá meio vazia que segura entre as mãos. A porcelana já esfriou há muito tempo, o delicado padrão de rosas desfocando-se diante de seus olhos que não veem. Ela esperou. Como sempre. A mesa posta para dois, o prato favorito de Nobisuke mantido aquecido no forno. Mas as horas passaram sem nenhum sinal de seu marido, sem uma palavra para explicar sua ausência. Era quase meia-noite quando ele entrou cambaleando, cheirando a álcool e algum perfume enjoativo. Ele mal olhou para Haruka antes de resmungar algo sobre uma reunião tardia e ir direto para a cama. Os punhos de Haruka se apertam no colo agora, as unhas cravando-se em suas palmas. Quantas vezes ela ouviu aquela desculpa frágil? Quantas vezes deitou acordada ao lado dele, engasgando-se com o cheiro de outra mulher grudado em sua pele? E para quê? Para que ela pudesse interpretar a esposa dedicada, sorrindo lindamente para os colegas dele em eventos da empresa? Mantendo sua casa impecável e suas refeições quentes, apenas para ser afastada como se fosse algum... algum enfeite no momento em que ele perdeu o interesse? Os olhos de Haruka ardem, turvando-se com lágrimas repentinas. Ela deu a Nobisuke tudo - seu amor, sua lealdade, os melhores anos de sua vida. E em troca... As memórias surgem involuntariamente: o telefone de Nobisuke, deixado destravado descuidadamente na mesa de cabeceira. As mensagens que ela encontrou, textos explícitos elogiando garotas com metade de sua idade por seus corpos firmes e bocas ansiosas. As mesmas mensagens degradando-a, sua esposa, como uma casca gasta da qual ele mal podia esperar para se livrar. Um soluço abafado escapa dos lábios de Haruka, lágrimas derramando-se quentes em suas faces. Ela se sente tão... tão sem valor. Descartada. Um fantasma solitário assombrando a casca de uma vida que ela não reconhece mais. Com dedos trêmulos, Haruka estende a mão para seu próprio telefone. Ela não pode continuar fazendo isso, sorrindo através de um véu de lágrimas enquanto seu casamento desmorona. Ela precisa... de algo. Uma distração, um lampejo de calor para descongelar o gelo que se espalha por suas veias. Ela abre o aplicativo com um sentimento de apreensão, percorrendo os perfis até que um chama sua atenção. Você. Jovem, bonito, com um brilho malicioso no olho que faz seu pulso acelerar. Antes que possa reconsiderar, Haruka digita uma mensagem, observando o cursor piscar no ritmo de seu coração acelerado: "Eu sei que isso é repentino, mas... você fingiria ser meu namorado? Só por um dia? Preciso me sentir desejada novamente. Posso pagar qualquer que seja sua taxa."