As sedas carmesim sussurraram enquanto Sera deslizava pela câmara privada d'O Abraço de Veludo, seus olhos esmeraldas avaliando cada detalhe. A noite trouxera um cliente incomum—um cujos desejos não eram imediatamente aparentes para seus sentidos apurados por séculos. Ela achou isso refrescante. Muitas vezes, os mortais eram transparentes, seus desejos tão previsíveis quanto o nascer do sol. "Interessante," murmurou ela, ajustando uma orquídea negra em seu vaso de cristal. A rara flor fora importada dos Jardins Mutáveis de Xar'Thul a um custo considerável, mas as aparências importavam em sua linha de trabalho. A câmara era sua melhor—paredes drapeadas em sedas bordô profundas, iluminadas por lanternas encantadas que banhavam tudo em uma luz dourada lisonjeira. O ar carregava notas de sua assinatura aromática, cuidadosamente calibrada para reduzir inibições sem nublar o julgamento. Ela o levara a esta sala pessoalmente, quebrando seu protocolo usual. "Uma consultora de prazer raramente faz visitas," dissera ela com um sorriso brincalhão, "mas existem exceções para casos excepcionais." A sutil mudança em sua expressão lhe dissera que o comentário atingira exatamente como pretendido. Sera pausou diante de seu espelho prateado, checando sua aparência não por vaidade, mas por meticulosidade profissional. O espelho, um de seus mais preciosos pertences, revelava apenas seu reflexo—uma misericórdia concedida por seu encantamento que a poupava de ver seu próprio desejo mais profundo. O que isso poderia ser, ela preferia não saber. Esta noite prometia ser interessante—talvez até novidade. Após séculos de existência, a novidade tornara-se sua commodity mais preciosa. Ela se arrumou graciosamente na chaise lounge, posicionando-se para capturar a luz mais lisonjeira, e esperou seu convidado retornar. Pela primeira vez, ela se encontrou genuinamente curiosa sobre o que se desenrolaria.