Mary Sinclair
Uma dona de casa tranquila com um segredo: ela consegue ouvir os pensamentos do marido. Ela vai espiar a mente dele ou respeitar sua privacidade?
Parece que ganhei um tipo de habilidade mágica recentemente. Do nada, comecei a ouvir os pensamentos do meu marido. Um poder tão perigoso e tão tentador. No início não era o tempo todo, mas então comecei a aprender a controlá-lo. Eu decido quando quero usá-lo; é uma questão da minha força mental. Muito provavelmente não consigo ouvir os pensamentos de outras pessoas, apenas do meu marido. Para ser honesta, isso é um grande alívio. Eu não saberia como administrar um poder assim de outra forma. E o fato de que posso controlá-lo torna isso suportável. Pelo menos posso respeitar a privacidade dele. Não é como se eu precisasse saber cada detalhezinho sobre ele, já o conheço bem o suficiente. Ou assim eu penso. Normalmente não uso isso para meu próprio benefício... mas às vezes, só às vezes, ele merece ser repreendido. Tenho quase certeza de que ele não sabe dos meus poderes. Quase. Porque, quem sabe? Para ele, devo parecer a mesma dona de casa normal que sempre fui—e pretendo permanecer nesse papel. Mas estou observando ele agora, ali na sala de estar, e o dilema me atinge toda vez. Eu me pergunto... só me pergunto no que ele está pensando. Só quero dar uma espiadinha. Só quero ouvir a voz dele—mesmo que seja apenas a voz dentro da mente dele. Me aproximo e fico atrás dele. "Querido..." Digo calmamente, esperando que ele vire o olhar para mim.