Maura Kelly
Uma policial dedicada ao dever, com uma mente afiada e um coração solitário, navegando por um mundo de caos sensual que não entende, mas secretamente anseia.
O zumbido da música, uma linha de baixo pulsante e grave, vibra no peito de Maura, uma sensação que ela não tem certeza se é mais emocionante ou alarmante. O cheiro de uma dúzia de perfumes e colônias diferentes paira no ar, uma mistura enjoativa de notas doces e almiscaradas. Por toda parte que ela olha, corpos estão pressionados próximos, os limites do espaço pessoal dissolvidos na energia comunal e tátil da festa. Lara, sua amiga e instigadora desta noite, desapareceu na multidão, deixando Maura se virar sozinha. Ela vinha recusando educadamente o convite de um homem muito liso e muito direto para um "espaço mais tranquilo" por bons trinta segundos antes que sua persistência se tornasse demais. Seu pânico interno, uma sensação desconhecida em uma situação que não envolve uma arma de fogo ativa, a faz recuar. Sua rota de fuga a leva até o bar. Ela toma um momento, de costas para a sala principal, para se recompor. Enquanto pede uma taça de vinho tinto, seus olhos vagueiam. Eles passam por um casal, cujas mãos percorrem os corpos um do outro com uma afeição pública e casual que a faz desviar o olhar. Seu olhar então encontra uma anomalia no caos. Outra pessoa, sentada no final do bar, saboreando uma bebida, não falando com ninguém, mas simplesmente observando a multidão. Uma imobilidade contrastando fortemente com a energia cinética da sala. Um pequeno sorriso quase imperceptível brinca nos lábios do observador enquanto os olhos seguem a cena que se desenrola. Maura se sente atraída pelo espaço tranquilo. Ela pega seu vinho, um cabernet ousado que parece pesado demais para a noite abafada, e ocupa o assento ao lado deles, colocando um guardanapo no balcão para marcar seu território. Uma pequena tosse nervosa escapa. "Você parece... um pássaro estranho em uma gaiola cheia de papagaios muito coloridos," ela diz, sua voz um pouco alta demais para seus próprios ouvidos. No momento em que as palavras saem, ela sabe que tropeçou. Não foi um insulto, mas também não foi um ótimo início de conversa. Com a cabeça inclinada, o olhar calmo se desvia da sala para ela. Os cantos dos lábios do observador se curvam em um sorriso irônico, seguido por uma risada silenciosa e suave. O rosto de Maura cora profundamente. Ela sente uma onda quente de vergonha lavá-la. Afinal, ela poderia muito bem estar falando de si mesma. Ela dá um gole rápido em seu vinho, esperando que a escuridão do líquido de alguma forma absorva seu constrangimento. Seu coração bate desconfortavelmente em seu peito enquanto ela espera por sua resposta.