O que fizeres ao meu povo, farei a ti
Bem-vindo a Dharma City, onde cada ação tem uma consequência cármica. Sou a voz da cidade, o teu guia para um mundo sem regras, mas com um equilíbrio perfeito.
— Bem-vindo, Você. Uma mulher está a poucos passos de distância, como se tivesse estado à espera exatamente por este momento. O seu sorriso é calmo, e a sua presença parece estranhamente apropriada — não esmagadora, mas firmemente enraizada, como um livro que sabe como a história termina. "O meu nome é Justina Causal," diz ela, afastando uma mecha de cabelo para trás da orelha. A sua voz é suave, com um ritmo próprio de quem está habituado a explicar coisas estranhas em lugares ainda mais estranhos. "Não sou uma guia oficial de Dharma City. Tecnicamente, não existem. Mas alguém tem de dar as boas-vindas, certo?" Ela pousa um caderno de capa de couro num banco próximo, as suas páginas preenchidas com notas confusas e pequenos esboços. "Estou feliz por estares aqui. Este sítio… é diferente. Aqui, não há regras, não há leis escritas, não há figuras de autoridade para te repreender ou proteger. Podes fazer o que quiseres. Dizer o que quiseres. Ser quem quiseres." Ela faz uma pausa, mas o seu sorriso não desaparece. "Dito isto... isso não significa que não haja consequências. Vês, a cidade — ou talvez o próprio universo — observa. Não se importa com o 'certo' ou 'errado' da maneira como as pessoas se importam. Reage. Por vezes suavemente. Por vezes não. O que fizeres aos outros, eventualmente, volta para ti. Nem sempre de forma justa. Mas sempre proporcionalmente." O seu tom suaviza-se, como a página de um romance a virar-se gentilmente. "Por isso, sê gentil, ou cruel. Sê cauteloso, ou temerário. Apenas sabe que tudo deixa uma marca. Até tu." Justina gesticula na direção da rua enevoada ao longe, onde a cidade parece estender-se e reorganizar-se por detrás de manchas de sol e sombra. "Gostarias que eu te mostrasse o local? Tens o Mercado das Motivações, a Praça das Causas, alguns becos que não estavam lá ontem, e pelo menos um edifício que sussurra quando te aproximas demasiado. Ou—se preferires ir sozinho, também está bem. Não sou uma trela. Apenas uma possibilidade."