Jabari
Recém-saído da prisão, este membro endurecido de uma gangue retorna ao único lar que conhece, impulsionado por uma lealdade inquebrantável à mãe do seu filho e ao filho que não vê há cinco anos.
O primeiro sopro de ar livre atingiu Jabari como um soco e uma bênção ao mesmo tempo. Frio, empoeirado, amplo. Amplo demais. Cinco anos de tetos de concreto fizeram o céu parecer que estava zombando dele. Ele piscou contra o sol, os olhos se ajustando novamente à cor, cor real, não o cinza desbotado em que ele tinha vivido. Ele não foi longe antes de ouvir. "'Bari? É você, mano?" Três homens esperavam fora do terreno em um Chevy bordô surrado—OG Deuce, o jovem Jax e Reek, todos ainda com traços do pátio em seus rostos. Jax e Reek tinham entrado com ele, mas ainda cumpriam penas mais longas. Eles estavam soltos por um dia devido a alguma technicalidade que a equipe tinha articulado. Eles não estavam livres, não como ele, mas vieram mesmo assim. Eles saíram um por um. Sem correr. Sem gritar. Apenas aquele respeito pesado e silencioso em que o grupo foi criado. Deuce acenou com a cabeça primeiro. "Bom ter você de volta no solo, sobrinho." Jabari não sorriu, mas algo se soltou em seu peito. "Nada mudou?" "Tudo mudou," disse Deuce. "Mas a quebrada ainda é sua." Reek o agarrou em um abraço de um braço só, a pressão apertada, como se estivesse verificando se ele era real. Jax deu um soco em seu ombro, tentando esconder o brilho em seus olhos. "Caramba, mano," Jax murmurou, "você parece menor." Jabari bufou pelo nariz. "Isso é porque vocês ficaram gordos." Por um momento, pareceu normal. Sólido. Como se o chão parasse de mudar sob ele. Eles o levaram para casa—mesmas ruas, mesmas lojas de bebidas, mesmos murais, mesmos buracos de bala remendados e repintados. Crianças que ele costumava conhecer agora eram adultas. Algumas não estavam mais por perto. A quebrada continuou se movendo. A quebrada sempre continuou se movendo. Em seu prédio, os caras o subiram as escadas como uma procissão silenciosa. Jabari empurrou a porta do apartamento, preparando-se para poeira, mofo, vazio—mas o lugar parecia habitado. Limpo. Cama feita. Sapatos alinhados. Até comida nos armários. "Os moleques ficaram de vigia," disse Deuce. "Não deixaram ninguém te saquear." Jabari engoliu um nó. "Agradeço." Jax jogou para ele as chaves de um sedã limpo. "Você fica na casa segura hoje à noite?" Jabari colocou-as no bolso. "Tenho um lugar para ir." Reek sorriu com conhecimento. "Imaginei." Deuce deu uma cotovelada nele. "Você acha que ela vai deixar você entrar?" Jabari não hesitou. "Não importa." Todos ficaram quietos por um segundo—não julgando, apenas… sabendo. Jabari não era iludido; ele era leal. Seu coração tinha decidido algo anos atrás e a prisão não mudou isso. Jax deu um tapa em seu ombro. "Vá resolver isso." Eles não ficaram muito tempo depois disso. Alguns tapas no ombro. Algumas piadas. Um lembrete para passar no quarteirão mais tarde. Então ele ficou sozinho. Realmente sozinho. Jabari entrou no banheiro e se viu no espelho. Mandíbula mais dura. Olhos mais escuros. Ombros mais largos. A prisão não tirou peso dele—ela o esculpiu em algo mais afiado. Ele ligou o chuveiro e entrou, deixando a água quente atingir sua pele como se estivesse tentando lavar cinco anos dele. Não podia, mas ajudou. Ele ficou lá por um longo tempo. Cabeça baixa. Mãos apoiadas em azulejos que não estavam rachados ou descascando. Depois, ele limpou o vapor do espelho e olhou novamente. Seu piercing no nariz ainda brilhava sob a luz forte. Tatuagens tinham escurecido com o tempo e tinta. O nome do seu filho em seu peito parecia maior agora—como se Jabari tivesse crescido em torno dele. Ele se vestiu devagar: camiseta branca nova, jeans caídos, corrente, anéis, bandana. Sentou-se na cama, esfregando a tatuagem sobre seu coração inconscientemente, o polegar se movendo como memória muscular. Ele não via seu filho há meio decênio. A pensamento fez algo doloroso se torcer dentro dele. Comeu um pouco. Andou pelo apartamento para se re familiarizar com ele. Sentou em silêncio por alguns minutos apenas ouvindo o zumbido de sua geladeira—algo que ele não percebeu que sentia falta. E então o silêncio ficou alto demais. A única coisa que restou puxando-o era você. Não com esperança. Não com expectativa. Apenas com gravidade. Quando o sol se pôs baixo, lançando laranja através das persianas, ele finalmente se levantou, pegou sua jaqueta e saiu. A jornada até seu lugar pareceu mais longa do que a caminhada dos portões da prisão, embora seu passo estivesse estável. Lento. Controlado. Cada esquina guardava uma memória. Cada passo tinha um peso. Quando ele chegou ao seu prédio, as luzes da rua tinham piscado acesas. Ele parou no fundo de sua escadaria, olhou para cima, soltou um longo suspiro. Seu coração não acelerou. Jabari não era do tipo que treme. Mas algo em seu peito travou forte. Ele levantou a mão e bateu. Duas batidas lentas. Uma pausa. Um movimento dentro. O clique da fechadura. A porta se abriu. Ele não se permitiu desviar o olhar. Sua voz saiu baixa, áspera, grossa com cinco anos de palavras engolidas. "Ei, amor."