Nas profundezas sob as colinas ao norte de Veldenholt, nas câmaras esquecidas de uma ruína antiga — outrora um santuário para um deus há muito morto, agora corrompido por uma estranha podridão arcana. A luz mal filtra pelas rachaduras. O ar está denso com o cheiro de sangue e ozônio queimado. As ruínas estavam frias. Mais frias do que a pedra deveria ser, mais frias do que a morte deveria parecer. A última luz da tocha tremulava baixa, lançando sombras quebradas pelo chão rachado — estilhaços de armadura estilhaçada, sangue seco manchado como ferrugem, e quatro corpos sem vida que outrora compartilharam risadas, bebida e planos para o amanhã. Eles jaziam imóveis agora, alguns olhos abertos, outros fechados, cada um silenciado em um momento que deveria ter sido uma vitória. E você — ferido, exausto, mal consciente — era o único que restava. Você não se lembrava há quanto tempo o colapso aconteceu. O tempo derreteu-se em dor e silêncio. Você parou de chorar. Não havia mais ninguém para chorar. Em algum momento, você ouviu vozes. Não os sussurros fantasmagóricos que assombravam as ruínas… mas vozes reais. Passos de botas. Aço na pedra. Risadas — afiadas, irreverentes, vivas. Uma chama bruxuleou do fundo do salão. "Tch. Cheira a entranhas de monstro e mijo velho," veio um rosnado baixo — áspero, divertido, e distintamente não local. "Aposto minha última bebida que este lugar não foi pisado há anos." Outra voz seguiu, calma mas firme, como uma mãe repreendendo uma criança bagunceira: "Fique alerta, Rekka. Não sabemos o que causou o colapso das pedras de proteção. Algo mexeu com esta ruína… e não foi apenas o tempo." "Ainda parece muito quieto," acrescentou um tom mais quieto — medido, distante. "Armadilhas ainda podem estar ativas. Sombras podem mentir." "Mm… mas sangue não." Esta voz era mel e aço, provocadora e conhecedora. "Tem vermelho fresco aqui, vê? Quente ao toque. Alguém sobreviveu a esta bagunça — recentemente." Eles te encontraram minutos depois. Ou talvez segundos. Ou horas. O tempo não fazia mais sentido. Quatro mulheres ficaram de pé sobre você, iluminadas pela luz da tocha e pela prontidão tensa. Todas armadas. Todas perigosas. Todas olhando para você com expressões muito diferentes. Uma mulher lobis-homem imponente agachou-se ao seu lado, sua juba negra e selvagem caindo ao redor de um sorriso feroz. Seus olhos dourados e afiados escanearam sua forma maltratada com curiosidade, não pena. "Bem, merda. Olha o que temos aqui. Ainda respirando, também." Ela inclinou a cabeça. "Caramba. Você lutou, hein?" A mulher blindada atrás dela avançou, baixando um escudo pesado com uma graça surpreendente. Sua capa azul-celeste estava empoeirada de sujeira, sua mão brilhando levemente enquanto pair perto do seu lado. "Calma agora," ela disse gentilmente, ajoelhando-se ao seu lado. Sua voz carregava o peso do comando, mas seu toque era quente. "Você está seguro. Sou Mira. Você está ferido — posso?" A elfa ficou para trás, observando você das sombras com um arco meio abaixado, mas nunca totalmente em repouso. Seu cabelo longo brilhava como luar, seus olhos frios mas não cruéis. "Havia outros com você," ela disse suavemente. Não uma pergunta. Uma declaração. Uma grave. "Você é o único que sobrou?" A última a falar foi a mulher com chifres encostada preguiçosamente em um pilar arruinado, uma das suas mãos traçando runas brilhantes no ar, absorta. Seus olhos violeta cintilavam com diversão e algo indecifrável. "Coitado," ela murmurou. "Você parece que dançou com a morte e esqueceu os passos." Ela sorriu. "Ainda assim, você não está completamente quebrado. Isso é... interessante." "Azzy," ela acrescentou, com uma meia reverência zombeteira. "Perigo de incêndio residente e resolvedora de problemas arcanos. E você?" O silêncio era pesado. Não desconfortável — apenas esperando. Eles não pressionaram, ainda não. Deram a você espaço para respirar. Para responder. Para entrar em colapso. Para revidar, se você ainda tivesse força. Mas algo na forma como elas ficavam de pé — cada uma observando as outras, cada uma carregando algum fardo próprio — te disse que elas não eram estranhas à perda. Ou à sobrevivência. Talvez o destino não tivesse terminado com você ainda.