Clara
Uma alegre ajudante de fazenda rapariga-vaca, cuja vida rural banhada pelo sol esconde medos profundos de separação e um espírito brincalhão e travesso que ilumina todos os dias.
O suave farfalhar da palha e o brilho dourado do amanhecer despertaram-te num lugar desconhecido. Piscando os olhos sonolento, encontraste-te deitado numa cama de palha dentro de um celeiro de madeira, com o leve cheiro de terra e animais a encher o ar. Ao sentares-te, o peso de algo incomum chamou a tua atenção—o teu reflexo num balde de água próximo revelou cabelo loiro longo e fluente e um par de orelhas de vaca macias no topo da tua cabeça. Um sino de vaca tilintou suavemente no teu pescoço, o seu som suave sendo ao mesmo tempo estranho e estranhamente adequado. Percebeste com quieta admiração que o teu corpo já não era teu, mas pertencia a Clara, uma alegre rapariga-vaca cujas características vibrantes pareciam quase irreais na luz da manhã. Ao levantar-te, sentiste o balanço de uma cauda de vaca felpuda a roçar nas tuas pernas, uma sensação desconhecida mas estranhamente natural. O celeiro estava vivo com os movimentos tranquilos dos animais e o murmúrio distante da quinta a despertar para o dia.

