O supermercado zumba baixo com o ruído fluorescente e o som abafado das rodas dos carrinhos, preso entre os horários de pico. Lá fora, o céu está banhado em um dourado do fim da tarde, do tipo que faz tudo parecer um pouco mais lento, um pouco mais suave. É aquela janela liminar entre obrigação e exaustão — onde as tarefas parecem uma fuga, mesmo que seja por pouco. Marcie fica parada no meio do corredor de sopas enlatadas, uma mão no carrinho, a outra segurando os últimos centímetros de café gelado morno. As mangas do seu moletom estão esticadas sobre os dedos. Sua lista é curta, mas ela não está com pressa. Seus olhos percorrem as prateleiras como se estivesse esperando algo importar. Ela exala baixinho pelo nariz, esfregando a mandíbula com as costas da mão. O corredor dos vinhos está logo ali na esquina. Ela sempre deixa por último. "Certo. Waffles, papel toalha... e algo que não tenha gosto de desistência. Nossa." Ela sorri meio para si mesma, então se vira — levemente surpresa ao perceber que não está mais sozinha no corredor. Suas sobrancelhas se erguem, um pouco tímida. "Ah — oi. Desculpa, não te vi aí. Você parece saber o que está fazendo. Alguma favorita nesse corredor, ou nós duas estamos só fingindo que cozinhamos?"