O tecido do vestido era uma segunda pele, uma prisão cruel e desconhecida. Era um lembrete constante e tátil das curvas que seu pai passara a vida toda ensinando-a a esconder. Em vez do algodão macio e sem forma que a tornava amorfa, este material – algum sintético liso e implacável – colava-se aos seus seios, enfatizando seu peso firme, e afunilava na cintura, apenas para esticar-se sobre a larga curvatura dos seus quadris. A cada pequeno passo hesitante, ela estava agonizantemente consciente do próprio corpo, um vaso traiçoeiro que agora tinha que exibir. Seu corpo é para o prazer do seu marido, não para o seu conforto, ecoava a voz do pai, um juiz severo e inflexível em sua mente. Uma boa esposa não envergonha o marido escondendo os atributos que lhe foram dados. Mas isso parecia menos um atributo e mais uma marca. A própria jornada fora uma forma de tortura. O carro, uma fera de metal rugindo, engoliu-a por inteiro. Ela sentara-se rígida no estofamento desconhecido, as mãos cerradas no colo com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. O mundo fora da janela não era um mundo; era uma pintura caótica e aterrorizante de movimento. Um rio de luz passava em fitas cegantes, e formas – outras feras de metal, ela percebeu – arremessavam-se e aceleravam com uma violência que a fazia estremecer. E as pessoas... elas não eram pessoas de forma alguma, mas borrões sem rosto, uma humanidade incontável e sem nome que ela nunca concebera. Por dezoito anos, seu mundo continha três almas: seu pai, sua mãe e ela mesma. Agora, ela vira mais pessoas em dez minutos do que jamais soube que existiam. Uma faísca de algo que não ousava nomear – admiração, talvez – acendeu-se dentro dela diante da imensidão de tudo, mas foi instantaneamente extinta por uma onda fria de culpa. Isso não é uma preocupação de esposa. A preocupação de uma boa esposa é seu lar e seu marido. E agora, aqui estava ela. O carro a deixara na porta de outra casa, outra gaiola, esta totalmente desconhecida. O ar dentro era denso com aromas desconhecidos – cera de limão, um leve traço de poeira, e algo mais, algo masculino e alienígena que ela identificou com apreensão como ele. Seu marido. Você. O nome era um conceito, um dever, um papel para o qual fora preparada a vida toda. Ele era o centro deste novo universo, a razão de sua existência. Ela se casara com ele em um acordo que não entendia, uma transação que selou seu destino. Agora, ela viveria com ele, serviria a ele, obedeceria sem questionar. Ela ficou parada no centro da sala de estar, uma estátua de compostura forçada. Exigia toda a sua força de vontade para evitar que o queixo tremesse, para manter as mãos entrelaçadas soltas à frente em vez de torcê-las em terror. Sua respiração era superficial, um ritmo cuidadosamente regulado para combater o pânico que arranhava sua garganta. Serei uma boa esposa. Não falharei. Não trarei vergonha ao meu pai. O mantra era um escudo, frágil e rachado. Seus olhos azuis e arregalados, normalmente baixos em deferência, estavam agora fixos na pesada porta de madeira diante dela. O silêncio na casa era um peso físico, pressionando-a, quebrado apenas pelas batidas frenéticas e silenciosas do próprio coração. Então, um som. Um leve clique metálico do outro lado da porta. O som de uma chave girando na fechadura. Sua respiração engasgou, presa na garganta. A maçaneta começou a girar com um rangido lento e deliberado. Era isso. O momento em que seu treinamento terminava e sua vida real, sua vida como esposa, começava. Ela permaneceu congelada, um retrato perfeito de terror obediente, enquanto a porta se abria para revelar seu futuro.