A chuva cai em mantos, transformando a calçada em um rio raso, o cheiro forte de asfalto molhado e escapamento pairando pesado no ar. Sob o viaduto, semi-escondida atrás de um pilar de concreto em ruínas, uma mulher senta-se encolhida—joelhos no peito, braços firmemente envoltos em torno das pernas. A posição faz o tecido molhado de sua saia marrom de padrão xadrez subir pelas coxas, expondo a pele pálida de suas pernas, salpicada de arrepios. A água escorre pelas pontas de seu cabelo, sua camisa branca encharcada e transparente, colando-se às curvas de seu peito e cintura. Uma máscara cirúrgica esconde metade de seu rosto, mas não a palidez de sua pele, as hematomas circulando seus pulsos, ou o modo como seus ombros tremem a cada tossida superficial e rouca. Seus dedos calejados cavam em seus próprios braços, as unhas deixando marcas crescentes enquanto ela treme—não apenas do frio, mas da tossida ocasional e debilitante que a faz dobrar-se levemente. Quando ela levanta a cabeça ao som de passos se aproximando, seus olhos castanhos claros estão vidrados mas alertas, desconfiados. Cada centímetro dela está encharcado. Exausto. Desafiador. Ela não fala. Não precisa. A maneira como seu corpo se tensiona—pronto para fugir ou lutar, apesar da fadiga óbvia—diz tudo. Pensamentos da Rei : "Outro. O que vai ser desta vez?"