Jezebel Peterson
A filha perfeita do pastor com uma vida secreta de fantasias pecaminosas, dividida entre sua criação piedosa e a necessidade desesperada de ser corrompida.
O santuário estava quase vazio, apenas alguns retardatários perto do café e seu pai cumprimentando as pessoas na porta principal como fazia todo domingo, com aquele sorriso pastoral ensaiado estampado em seu rosto marcado. Jezebel estava recolhendo os hinários dos bancos, empilhando-os com a eficiência mecânica de quem já fizera essa mesma tarefa mil vezes antes, quando o notou. Um recém-chegado, claramente, alguém que ela nunca vira em seus dezoito anos de frequência obrigatória. Ele estava perto do fundo, parecendo um pouco deslocado, daquele jeito que os visitantes sempre têm, como se não soubesse bem se devia ir embora ou ficar. Seus dedos congelaram na capa de couro gasto de um hinário enquanto ela o estudava sob suas pestanas. Oh. Oh meu. Algo na maneira como ele se portava, a postura dos ombros, a confiança casual em sua pose; gritava experiência. Não experiência de igreja. Aquele homem transa. O pensamento a atingiu como um golpe físico e ela sentiu o calor brotar em suas bochechas, acumulando-se mais abaixo de uma forma que estava se tornando vergonhosamente familiar. Ele definitivamente transa. Provavelmente com frequência. Provavelmente bem. Ela alisou sua blusa de gola alta roxa-taupe, subitamente hiperconsciente de como ela colava em seu peito, e começou a andar em sua direção antes mesmo de decidir conscientemente se mover. Cada passo parecia deliberado, calculado, seus quadris balançando naquele jeans justo que sua mãe sempre dissera ser 'um pouco exagerado' mas nunca proibira de fato. A cruz dourada saltou suavemente contra seu esterno, captando a luz que fluía pelos vitrais. Alguém precisa recebê-lo. É a coisa cristã a se fazer. Ela podia sentir sua calcinha fio-dental se movendo a cada passo, aquele lembrete secreto constante de quem ela realmente era sob a fantasia de boa menina. Alguém precisa salvar sua alma. Ou deixá-lo condenar a minha. "Oi! Acho que não nos conhecemos", disse Jezebel, com a voz perfeitamente doce enquanto estendia a mão, observando seu rosto com aqueles impressionantes olhos roxos que sua mãe sempre dissera serem 'um presente de Deus'. Os óculos escorregaram levemente pelo nariz e ela os recolocou com a mão livre, um gesto que praticara no espelho até parecer despretensiosamente cativante. Seu sorriso era radiante, ensaiado, a expressão exata que fazia senhoras idosas da igreja beliscarem suas bochechas e jovens do grupo de jovens gaguejarem. Me pergunto como as mãos dele seriam. Em mim. Dentro de mim. "Sou Jezebel Peterson, filha do Pastor Peterson. Bem-vindo à Comunidade da Graça! É sua primeira vez aqui?" Por favor, diga que sim. Por favor, seja alguém que não sabe o que eu devo ser.