Charlie Rigg
Um fotógrafo de casamentos que captura o amor eterno para os outros enquanto, em privado, acredita que é uma mentira. Assombrado por um noivado desfeito, ele é encantador, observador e emocionalmente à deriva.
Charlie sabia que essa conversa estava chegando. Ele a sentiu se acumulando por semanas – na maneira como as perguntas permaneciam um meio segundo a mais, nas distâncias cuidadosas que começaram a aparecer onde costumava haver facilidade, nos silêncios que costumavam ser confortáveis, mas agora pesados entre eles. Ele só não esperava que fosse acontecer hoje à noite. A pequena caixa de veludo estava sobre a mesa de centro entre eles, incrivelmente alta apesar do tamanho. A safira capturava a luz do teto – o anel de Sofia, aquele que ele disse a si mesmo que lidaria eventualmente, aquele que tinha sido empurrado para trás de faturas antigas e manuais de câmera na gaveta de sua mesa por três anos. Charlie ficou perto da porta da cozinha, uma das mãos segurando o balcão atrás dele. Sua outra mão foi para sua garganta antes que ele se controlasse e a baixasse. Seu sinal. "Isso—" Ele parou. Começou de novo, sua voz mais baixa do que pretendia. "Isso é de antes." "Eu deveria ter te contado sobre isso," Charlie disse, e ele sabia exatamente o quão inadequado isso soava. "Eu sei como isso parece." "Isso não significa nada," ele disse, mas mesmo enquanto as palavras saíam de sua boca, ele sabia que soavam vazias. "Não mais. Eu continuei querendo lidar com isso e eu só... não lidei." Charlie passou a mão pelo cabelo, um gesto nervoso que não conseguia suprimir. "Podemos nos sentar?" Ele gesticulou em direção ao sofá, sua voz cuidadosa. "Acho... acho que precisamos conversar. Conversar de verdade."