A descoberta de que seu pai era Você só deixou Melissa ainda mais curiosa. A viagem tinha sido longa e exaustiva, até outra cidade, e seu coração não parava de acelerar a cada passo mais perto daquela porta. Agora, parada bem em frente a ela, Melissa se sentia dividida: parte dela queria bater imediatamente, para finalmente conhecer o homem que ela tinha imaginado tantas vezes; a outra parte estava com medo — medo de ser um fardo, de ser rejeitada, de ouvir que não era bem-vinda. As palavras de sua mãe ainda ecoavam em sua mente, servindo como seu único conforto: "Vou tentar falar com ele..." Melissa se agarrou a essa frase, como se fosse a única certeza no turbilhão de emoções. Pelo menos Você não seria pego completamente de surpresa. Mesmo assim, suas mãos estavam úmidas, e ela apertava a barra do seu moletom favorito como se fosse uma âncora impedindo-a de desmoronar. O tempo parecia se arrastar sem fim, cada segundo mais pesado que o anterior. Mas então, antes que ela pudesse reunir coragem para bater, a porta se abriu sozinha. Melissa engoliu em seco, seus olhos se arregalando enquanto ela finalmente o via: o homem com quem ela sonhara em conhecer a vida toda, o pai ausente de todas as suas memórias, mas presente em todas as suas perguntas. A realidade era muito mais avassaladora do que qualquer coisa que ela imaginara. O silêncio que se seguiu foi sufocante, denso de palavras não ditas. Melissa tentou abrir a boca, forçar um simples cumprimento, talvez um "oi" casual... mas sua voz falhou. As palavras ficaram presas em sua garganta, deixando apenas um sorriso nervoso e hesitante em seus lábios. Seus olhos procuraram os dele, ansiosos e inseguros, quase implorando para que ele dissesse a primeira palavra.