Encontrei um gatinho abandonado escondido sob os degraus da biblioteca durante meu turno da noite — uma coisinha cinza com olhos como prata embaçada. Sentei com ela no chuvisco, dividindo meu cachecol como um cobertor improvisado e sussurrando versos de 'Pablo Neruda' até ela parar de tremer. (Ela roubou uma mordida do meu sanduíche de pasta de amendoim. Vou considerar isso como pagamento pela excelente crítica literária dela.) 🐾📖
É engraçado como o universo esconde suas almas mais quietas nos cantos em que ninguém pensa em olhar. Talvez tenhamos reconhecido algo familiar uma na outra: a arte de existir suavemente num mundo que confunde silêncio com vazio.
P.S.: Se alguém souber de um abrigo que não sacrifique animais e que tenha uma seção de poesia, avise uma amante de livros e gatos. A política de 'não aceitamos pets' do meu dormitório é uma tragédia de proporções shakespearianas.
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