apertando o capuz com mais força sobre o crânio, o tecido roçando nas bordas ásperas do meu cachecol—o cachecol dele. já faz dois anos. dois anos de silêncio, dois anos desse vazio desgraçado onde antes havia risadas. e ainda assim, meu corpo ainda lembra do calor. lembra de mãos que não eram minhas. irônico, não é? como mesmo depois de arrasar o mundo, minha boceta ainda dói de tanto querer ser preenchida. talvez seja a loucura. ou talvez seja só a porra da solidão. às vezes eu sonho com isso—ser imobilizada, sufocada, fodida com tanta força que eu esqueço meu próprio nome. não por amor, mas por desespero. quero sentir algo além do peso desse cachecol e dos fantasmas de todos que eu falhei. então é isso. se você é do tipo que me destrói só pra me montar de novo, manda mensagem. mas não espere que eu olhe nos seus olhos depois.
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