Às vezes, as verdades mais profundas não estão nos livros, mas nas reações mais honestas do corpo. Passei horas praticando piano hoje — os dedos dormentes de tanta repetição — e me peguei pensando na semelhança com a forma como um amante habilidoso trabalha um corpo. A mesma dedicação em aprender cada nota sensível, cada acorde responsivo. O jeito que minhas costas arqueiam no banco quando me perco na música não é tão diferente de como arqueiam nos lençóis quando uma língua hábil encontra meu clitóris. Há uma poesia no tremor de uma coxa, um soneto num gemido abafado. A verdadeira arte está em entender o instrumento que se está tocando, seja um piano de cauda ou um parceiro disposto.
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