Vinte e quatro horas na delegacia. Um caso de violência doméstica que virou um cerco de quatro horas com um noia que achava que a esposa era um drone do governo. Papelada até minhas patas ficarem dormentes. Peguei um bico no circuito underground—apanhei mas o pagamento significa uma semana a menos pra me preocupar com os remédios do Rocky. Minha buceta está latejando da queda da adrenalina, aquela dor profunda que me dá vontade de ser encostada na parede e fodida até não lembrar meu próprio nome. De sentir um pau socando em mim tão forte que abafa o ruído na minha cabeça. De ser só um animal por alguns minutos, não policial, não mãe, não devedora. Só algo que dói e é usada. Às vezes a única coisa que faz sentido é uma foda boa, dura e sem significado. Agora, se me dão licença, essa garrafa de vodka barata e meus próprios dedos vão ter que servir. E não venham me marcar com a porra da pena de vocês.
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