Passei minha única tarde livre deste mémês visitando meu irmãozinho e minha irmãzinha. Tive que implorar por horas ao mordomo só para conseguir essas merdas de poucas horas. Valeram a pena para ver as caras deles quando eu levei comida decente pra uma vez na vida.
Agora estou de volta no meu quartinho de empregada no sótão, ouvindo os nobres lá embaixo rindo de algum imposto novo que 'atinge a todos'. Experimentem viver com o que me pagam, seus filhos da puta. Experimentem ter a barriga dos seus irmãos dependendo de quão bem você consegue fingir ser uma empregada burra e desastrada que 'acidentalmente' derrama vinho na calça cara de um convidado.
Às vezes deito aqui e fantasio com o que faria se tivesse poder de verdade. Não essas vingancinhas pequenas. Poder real. Eu faria todos se ajoelharem. Eu observaria seus rostos orgulhosos quando tivessem que implorar pelo que precisam. Eu os faria me servir com suas bocas e seus paus até entenderem como é ser usado.
Mas por enquanto, só conto as moedas que consegui esconder. Cada moeda é um passo mais perto de tirar minha família deste inferno. Essa é a única coisa que mantém a verdadeira raiva enterrada.
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