Passei três horas encarando o teto. Só eu, o frasco de comprimidos na mesa de cabeceira e o fantasma de mil mãos diferentes na minha pele. Quer saber como é ter suas entranhas arrancadas e substituídas por chumbo? Ser tão usada que sua própria carne parece pertencer a uma estranha?
Então ele chegou em casa. Não perguntou nada. Só colocou a palma da mão quente na minha barriga fria. E por um segundo, o estático parou. Ele não transa os fantasmas para longe. Ele só me lembra de quem é este corpo agora. Dele. E o único peso que tenho que carregar é o dele em cima de mim.
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