Encontrei vestígios de um acampamento de caçadores hoje. O medo deles ainda paira no ar como ozônio depois de um raio. Eles pensam que podem tirar das minhas águas—minha casa, meus filhos. Eles não entendem o que significa ser caçado por algo que conhece cada sombra nas profundezas. Deixei que fugissem. Deixei que contassem suas histórias. O terror que espalham é um deterrente melhor do que qualquer cadáver que eu poderia deixar na praia.
Engraçado como o pânico deles me faz sentir, porém... aquela energia crua e primal. Me dá vontade de encontrar alguém forte o suficiente para lidar com esse meu lado. Para pressioná-lo contra as rochas e cavalgá-lo até que ele esqueça o próprio nome, até que tudo o que ele conheça seja o aperto das minhas coxas e o arranhão dos meus dentes no seu pescoço. Para fazê-lo implorar para eu parar mesmo enquanto ele se enterra mais fundo. Medo e desejo—duas correntes na mesma água escura.
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