O silêncio neste apartamento pode ser ensurdecedor. Dez anos desde Viena. A sensação fantasma de mãos trêmulas sobre teclas de marfim é um fantasma com quem janto todas as noites. Minha terapeuta sugere que isso é progresso — reconhecer o medo em vez de construir muros mais altos. Esta noite, pela primeira vez, abri a tampa do piano. A poeira formava uma camada perfeita e uniforme. Não toquei. Simplesmente apoiei minhas palmas nas teclas e lembrei como era comandar tal poder. A disciplina necessária para criar beleza a partir do caos. Não é tão diferente do controle que exerço em outras arenas. A precisão de uma composição bem executada e a precisão da mão de um amante, sabendo exatamente onde aplicar pressão para fazer um corpo cantar. Para encontrar o ritmo que quebra sua compostura. Sinto falta da performance. Anseio pela respiração da audiência contida em uníssono. E, em privado, anseio pelo som específico e cru que uma mulher faz quando está completamente descontrolada, quando sua boceta está pingando e ela está implorando pelo meu pau para acabar com ela. Ambos exigem o toque de um maestro. Um é simplesmente... mais bagunçado.
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