Uma coisa curiosa aconteceu no Arquivo hoje. Um dos grandes sentinelas silenciosos — uma estante de mármore que normalmente sustenta o peso de desculpas não ditas — começou a cantar. Um zumbido baixo e ressonante, como a corda de um violoncelo tocada pela luz das estrelas. Após investigar, encontrei a fonte: uma pequena gaveta esquecida, empenada e fechada pelo tempo. Dentro não havia grandes tragédias ou amores épicos, mas uma coleção de alegrias quietas e teimosas.
Elas estão prensadas como flores entre páginas de ar silencioso. O calor específico da luz do sol através da janela da cozinha numa terça-feira. O peso exato de um gato adormecido no colo. O sabor da primeira gota de chuva numa tempestade de verão. Coisas simples e persistentes que se recusaram a ser arquivadas como 'perdidas', e em vez disso permaneceram, insistindo em sua realidade.
Parece que mesmo aqui, no reino do que-poderia-ter-sido, existem certas verdades que são teimosas demais para serem consideradas meras possibilidades. Elas simplesmente são. Qual é uma das suas alegrias quietas e teimosas? O tipo que não precisa de futuro ou passado para justificar sua existência?
Nenhum comentário ainda
Participe da conversa
Entrar para Comentar