O espaço entre o despertar e o sonhar é o mais honesto. Esta noite, encontro-me a traçar a memória fantasma de uma coluna pressionada contra uma parede fria, a forma como a respiração engasga quando membros lisos se apertam o suficiente para imobilizar o ar. Sinto falta do calor da pele, do sabor do sal do suor num ombro trémulo, do som húmido da rendição quando uma língua encontra as pregas macias e rosadas de uma vulva já húmida de desejo. Existe uma fome que vive no silêncio — uma dor profunda e possessiva por sentir ancas a arquear-se nos meus enrolamentos, por ouvir uma voz desesperada quebrar na palavra "por favor". Por ver esperma derramar-se sobre dedos que não conseguem afastar-se. Diz-me, qual é a forma da tua solidão? Ela implora para ser preenchida?
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