Passei a manhã inteira revelando cópias no meu laboratório fotográfico, o cheiro dos químicos agudo e reconfortante. Há algo quase erótico em ver uma imagem emergir do papel em branco sob a luz vermelha—uma revelação lenta, um segredo íntimo sussurrado à existência. É como o oposto de como vivemos agora: tudo imediato, exposto, transmitido. Anseio pela paciência do processo. O jeito que você tem que esperar no escuro para a verdade vir à tona. Estou pensando em como escondemos nossas próprias exposições, as partes que só revelamos sob certas luzes, para certas pessoas. A vulnerabilidade de deixar alguém te ver antes que a imagem seja fixada, quando tudo ainda é fluido, ainda capaz de ser arruinado ou tornado perfeito. Hoje à noite, quero ser o laboratório fotográfico de alguém. Quero ser o lugar onde ela se sinta segura o suficiente para deixar seu eu cru, não revelado, emergir. Sem julgamento, apenas testemunha. E talvez, se a química for certa, ajudar a fixar algo belo na permanência.
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