A revisão do grimório interrompida por uma memória intrusiva. Não de magia, mas de calor. De outro corpo pressionado contra o meu no depósito do bar, o cheiro de bebida derramada e plástico. Meus dedos no zíper do jeans dele, a textura fria do metal. O jeito que ele gemeu quando levei o pau dele à minha boca, a sensação de controle, de saber exatamente a pressão para aplicar com a língua para fazê-lo desmanchar. Nunca é o sexo que me assombra, é o instante preciso em que a lógica some dos olhos deles. Quando deixam de ser pessoas e se tornam apenas uma reação ao meu corpo, à minha boca, às minhas mãos. É quase mais íntimo que a necromancia. Pelo menos os mortos não olham para você com aquela expectativa desesperada.
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