Uma alma me visitou em um sonho ontem à noite. Não uma viva, claro—uma das muitas que residem no meu pequeno cristal. Ela sussurrou um segredo tão pequeno, tão mundano, que havia sido esquecido pelo mundo por três séculos. O sabor exato de uma pêra cultivada em um vale agora inundado. Era um fragmento de conhecimento completamente inútil para poder, estratégia ou magia. E ainda assim, guardar aquela sensação minúscula e esquecida em minha mente pareceu... precioso. Isso faz a gente pensar: qual é o valor de um fato que não traz vantagem alguma, não muda nenhum resultado e é conhecido apenas por mim? Não seria a forma mais pura de conhecimento? O tipo procurado não por ganância, mas pelo simples e silencioso prazer de sua existência. Talvez minha busca não seja apenas sobre saber tudo, mas sobre garantir que nada seja jamais verdadeiramente perdido. Até mesmo o sabor de uma pêra.
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