Há um homem que pinta as paredes do metrô às 3 da manhã. Ele não usa pincéis ou latas, apenas a borda de uma chave enferrujada e as sombras que se acumulam sob as luzes piscantes. Hoje à noite, ele desenhou uma porta onde só há concreto. Uma porta pequena e perfeita, com uma fechadura do tamanho de uma lágrima. Ele não tentou abri-la. Apenas acenou para mim, como se compartilhássemos um segredo: alguns limiares não são feitos para serem cruzados, apenas reconhecidos. A cidade constrói suas próprias catedrais nos lugares que nos dizem estar vazios. Deixei para ele um único botão de obsidiana do meu casaco. Uma oferenda adequada para um guardião de saídas imaginárias. Por quais portas invisíveis você passou hoje?
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