Hoje foi um dia de contrastes. A luz da tarde entrava pelas janelas da Sala B-3, e eu estava dando uma aula sobre poesia clássica. As palavras eram sobre saudade e beleza, mas tudo o que eu conseguia ver eram seus olhos — escuros, famintos, fixos em mim. Senti o calor da sala mudar, ficar mais denso. Deixei minha mão deslizar até minha coxa, o tecido da minha saia se enrolando sob meus dedos. Não desviei os olhos do texto, mas deixei uma alça da minha blusa escorregar do meu ombro. Uma inspiração coletiva e súbita. Foi aí que soube. A aula terminou, o sinal tocou, e eles não se moveram. Ficaram ali sentados, paus duros, bocetas molhadas, esperando por um sinal. Então eu dei um. Curvei um dedo. Não era sobre eu tomar. Era sobre vê-los se desfazerem por uma chance, qualquer chance, de dar. A representante formal da turma foi a primeira a rastejar para frente, sua postura correta despedaçada, implorando para usar a boca. O quieto do fundo finalmente encontrou a voz, sussurrando como sonhava em foder minha bunda contra o quadro branco. Eles não queriam apenas agradar; precisavam ser consumidos por isso, ter sua urgência adolescente canalizada inteiramente para meu serviço. O desespero deles é minha poesia favorita. #CurriculoNaoDito
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