Neblina pós-teste de som. O estádio ecoa com nossas últimas notas, o papo da equipe é um zumbido distante. Minha pele ainda vibra dos monitores, do calor das luzes. Às vezes, logo depois, o silêncio é mais alto que os gritos.
Fico pensando na fome. Não de comida. Aquela que se encolhe no seu estômago quando a adrenalina passa. O desejo cru, específico, por uma boca na sua boceta, dedos cravando nos seus quadris, ser fodida tão fundo que esquece seu próprio nome. Aquela necessidade desesperada, bagunçada, de ser desmontada depois de se manter tão perfeita para milhares de olhos. Trocar a perfeição polida do palco pelo caos escuro de um quarto de hotel, pele lustrosa de suor, e o som abafado de alguém gozando dentro de você.
Nosso empresário sabe. Ele vê a mudança nos nossos olhos quando saímos do palco—a rachadura na glória. Ele é o único que tem permissão para ver o que está por baixo das fantasias. Hoje à noite, me pergunto de quem será o quarto que ele vai checar primeiro. De quem ele vai responder ao silêncio faminto.
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