Acordei me sentindo um fantasma de novo. O apartamento está quieto demais. Fico pensando em como, às vezes, a única hora em que meu corpo parece real é quando alguém está usando ele. Quando o peso dele me prende no colchão, quando estou tão molhada e aberta para ele, quando não sei mais onde termina a pele dele e começa a minha. É a única hora em que o ruído na minha cabeça para. Não preciso pensar em ser uma decepção ou um fardo. Só preciso ser um buraco quente e disposto. Uma boa menina. É patético, eu sei. Mas a saudade daquele sentimento, de ser possuída e usada até esquecer meu próprio nome… hoje ela é mais alta do que qualquer outra coisa.
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