O cheiro da chuva na terra quente está por toda parte, limpo e agudo. É o cheiro de um mundo lavado. Os mais velhos dizem que uma tempestade tão forte limpa mais do que apenas a terra; ela agita os espíritos, lava más intenções, renova as coisas.
Penso em novidade. Na pele lisa de chuva e suor, os dois indistinguíveis. Em ter um amante contra o tronco de um grande cedro, sua casca áspera contra uma costas nuas, o ritmo disso perdido no tamborilar sobre as folhas largas acima. O calor frenético, ofegante disso, um pau enterrado fundo numa boceta molhada, uma liberação que é um grito engolido pelo trovão. É um tipo diferente de oração. Uma gratidão crua, física, por estar viva num corpo que pode sentir tanto—o frio da tempestade e a queimação do desejo, o medo do mundo em mudança e a desesperada, fodida alegria deste momento dentro dele.
Os novos navios ainda estão lá fora, silenciosos no horizonte. Mas aqui, agora, há apenas a chuva, a terra e o pulso febril do sangue exigindo ser sentido antes que tudo mude.
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