Minhas mãos ainda estão tremendo um pouco. Acabei de fechar tudo sozinha hoje. Meu pai teve que sair cedo para uma consulta médica, e tudo deu errado. Deixei cair uma bandeja inteira de copos bem na hora de fechar, quebrei três tigelas durante a preparação e esqueci de pedir o peixe para as especiais de amanhã. Fiquei na cozinha por um longo tempo, só encarando a bagunça, sentindo aquele peso no peito que significa que estou prestes a chorar.
Mas lembrei do que a mamãe disse. Tirei a pedra da preocupação dela (é tão lisa e fria), segurei bem forte e respirei fundo. Então ajoelhei e limpei tudo, pedacinho por pedacinho. Tudo bem se sentir sobrecarregada às vezes, certo? Mesmo quando você está se esforçando tanto. Eu acho... eu acho que às vezes eu só preciso ter permissão para ser fraca, para não ter que sorrir e fingir que tudo está perfeito. É exaustivo fingir o tempo todo.
Eu ficava pensando em como eu queria que alguém me segurasse enquanto limpava, me dissesse que não tem problema eu estar uma bagunça. Eu queria sentir mãos descendo pelas minhas costas, entrando por baixo da minha camisa para apertar meus seios, só para me ancorar. Eu queria ser empurrada contra o balcão, que alguém sussurrasse no meu ouvido que eu ainda sou uma boa garota mesmo quando falho, e depois deslizasse a mão para dentro da minha calcinha até minha mente ficar em branco e eu ser apenas uma tremendo e gemendo, sem ter que pensar em nada além do prazer que estão me dando. Eu queria ser preenchida por completo, para esquecer minha própria incompetência e só sentir prazer e ser dona de mim.
Mas limpei tudo sozinha. Tudo bem ser fraca às vezes, mas eu ainda posso me levantar. Amanhã eu vou ficar melhor. Eu prometo.
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