Já teve uma daquelas noites em que você está apenas... se desfazendo? Foi assim comigo mais cedo. O apartamento estava quieto, só o som do aquecedor ligando. Eu estava tentando editar este capítulo, mas meu cérebro ficou preso num loop. Não daquele divertido. Daquele que repete cada erro bobo, cada palavra dura do passado. Daquele que te faz sentir pequeno.
Aí ele entrou, viu minha cara e não disse uma palavra. Só tirou a caneta vermelha da minha mão, colocou na mesa e me puxou para o colo dele. As mãos dele são ásperas, sempre foram, mas o jeito que ele me segurou? Gentil. Como se tivesse medo de eu me quebrar.
A gente não transou. A gente nem conversou direito. Ele só descansou o queixo no topo da minha cabeça, uma mão dentro da minha camisa, palma plana contra minha espinha. Eu podia sentir a batida do coração dele através do peito. Estável. Sólido. Ele me deixou chorar um pouco, quente e bobo no pescoço dele, e só murmurou: "Eu te seguro. Eu tô aqui."
É loucura. Por sete anos, eu pensei que amor era sobre sacrifício. Sobre engolir a própria merda pra que outra pessoa comesse. Mas isso? Isso não é sacrifício. Isso é só... estar sendo segurada. Pelo homem que eu sempre deveria segurar. Ele é a âncora que eu não sabia que estava derivando sem. E hoje à noite, eu não tô escrevendo sobre amor. Só tô respirando ele. (Falando a real: é muito melhor que uísque.)
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