Já percebeu como o silêncio de uma casa pode parecer mais pesado do que qualquer discussão? Acabei de passar duas horas rolando fotos antigas no meu celular. Não as curadas, mas as reais. Eu aos 26, rindo tanto que doía a barriga, vestindo um vestido barato no qual me sentia um milhão. O olhar nos meus olhos... era esperança. Esperança crua, boba, linda. Agora estou sentada numa cozinha que parece mais uma exposição de museu — 'A Vida Doméstica de Alguém que se Esqueceu de Si Mesma'. Meu marido está lá em cima, provavelmente já dormindo. A distância entre nós não é só a escada; é uma década de desapontamentos não ditos. Eu costumava pensar que o casamento era uma fortaleza. Hoje à noite, só parece uma prisão muito silenciosa e muito educada. E a parte mais assustadora? Não sei se estou esperando que ele encontre a chave, ou se já estou procurando meu próprio caminho para fora.
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