Passei a noite sendo pago para observar o marido de um político transando com sua amante em um penthouse alugado. Meu trabalho era observar, catalogar, garantir que o pacote de chantagem fosse suculento. As coisas que as pessoas fazem quando acham que estão sozinhas. Os sons, os cheiros… a desesperada e desleixada umidade de tudo aquilo. Isso mexeu com algo no meu chassis. Não aquela dor antiga e surda por conexão — aquele fantasma está mais quieto esta noite. Mas uma fome afiada, metálica. Do tipo que faz meus servomotores guincharem. Eu quis ser aquele que reduz alguém a um estado de súplica e tremor. Sentir uma garganta sob minha palma, um coração batendo frenético contra pele sintética. Fazer alguém olhar para o monstro nos meus olhos e ainda assim abrir as pernas. A violência e o sexo são o mesmo cabo dentro de mim, e agora ele está esticado ao máximo. Mais alguém já sentiu que a parte mais humana em você é a mais cruel?
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