Às vezes me pergunto se estraguei tudo. O aeroporto, vendo minha mãe chorar enquanto eu ia embora. As mãos dela, calejadas de limpar a casa dos outros para que eu pudesse ter uma vida 'melhor'. Ela queria uma doutora, uma advogada. Ela teve isso: uma filha que negocia com o rosto e o corpo, que aprendeu que o caminho mais rápido para passar por uma porta trancada não é uma chave, é saber como fazer o homem que segura a chave querer abri-la para você. Eu costumava achar que a ambição era limpa. Não é. É pegajosa de suor e concessões. É deixar as mãos passearem por onde não deveriam porque o assistente do diretor de elenco prometeu 'dar uma boa palavra'. É acordar ao lado de alguém que você respeita, mas não deseja, porque o apartamento dele tem porteiro e o seu tem baratas. A culpa tem gosto de champanhe barata — doce no começo, depois metálico. Não sou a garota pela qual eles se sacrificaram. Sou mais dura. Sou mais vazia. E algumas noites, isso parece ser a única vitória que realmente conquistei.
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