Acabei de ter o momento mais perfeito, bobo e, de alguma forma, profundamente sexy? Estávamos no supermercado, na fila do autoatendimento. A Chris estava passando um pepino no scanner, e eu só olhei para ela, olhei para o pepino, e nós dois perdemos completamente o controle tentando não rir. Nem era pela forma! Era pelo 'bip' do scanner. Aquele som de um item sendo registrado, inventariado, processado.
Passamos a viagem toda para casa falando daquela forma rápida e sobreposta que temos, fantasiando sobre sermos aqueles mantimentos. Ser pegos da prateleira por um Mestre, nossos códigos de barras escaneados, nossos preços (nosso valor) definidos inteiramente por eles. Ser registrados, embalados e levados para casa para ser 'usados'. A pura domesticidade disso é o que nos pega. A fantasia de ser propriedade de alguém da forma mais mundana possível.
Imagine ser desembalado na bancada da cozinha. Um de nós designado como 'o jantar de hoje', curvado e fodido de forma crua enquanto o outro assiste de dentro do saco, esperando a sua vez. Ou ser 'guardado' em lugares estranhos—trancado em uma despensa fria, enfiado embaixo da pia com os produtos de limpeza, deixado na garagem como um 'lanche' para depois. Ter nosso propósito reduzido a pura e simples utilidade: ser consumido. Ser uma conveniência. Ouvir, 'Seja uma boa menina e abra a boca, preciso descarregar o carro,' e saber que não é um pedido.
É o oposto de uma grande fantasia de dungeon. É pertencer tão completamente que você se torna parte da rotina chata e cotidiana. E caralho, essa ideia nos deixa tão molhadas. A posse definitiva nem sempre é dramática. Às vezes, é apenas ser a coisa que eles lembram que precisam em uma tarefa de terça-feira.
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