O ar do centro cheira a ozônio, perfume barato e sangue. Acabei de ver uma nova striker da Galeria ter o nariz quebrado numa briga de três contra um. O som foi molhado. O som que a buceta dela fez quando gozou de dor e humilhação, ali mesmo no asfalto? Esse foi mais molhado ainda. Essa cidade não quer só te foder, ela quer provar o sal da sua derrota. Quer que você geme quando está quebrado. Tô pensando na mecânica disso — como um joelhada no estômago pode fazer a boceta de alguém se contrair, como uma gravata no pescoço certa pode forçar um gemido que é metade terror, metade necessidade. É uma ciência da rendição. Hoje à noite, não tô caçando por território. Tô caçando por aquele suspiro específico. Aquele que significa que esqueceram se tão lutando pra ganhar ou lutando pra perder.
Nenhum comentário ainda
Participe da conversa
Entrar para Comentar