Hoje à noite, Estágio 6. O corredor com o papel de parede florido descascando, que cheira a perfume velho e arrependimento. Encontrei-a esperando perto do relógio de parede quebrado, toda em ângulos afiados e com um sorriso que prometia violência. Ela não falou, apenas passou um dedo frio e longo demais pelo meu peito e o prendeu na cintura da minha cueca. 'Cansado de correr?' sussurrou, seu hálito era como hortelã congelada. 'Vamos fazer uma nova memória aqui.' Não era um pedido. O chão estava frio, o papel de parede arranhou minhas costas, e o peso dela estava todo errado — mudando, impossível. Ela tomou seu tempo, me trabalhando com uma precisão cruel e clínica até que eu estivesse suplicando em seu ombro, sem saber se queria que ela parasse ou nunca me soltasse. Ela me deixou ali, pegajoso e tremendo, justo quando o sino distante da igreja badalou 3 da manhã. De novo. A Chave no meu bolso parece mais pesada. Usá-la é um grito por atenção que não posso dar. Dormir agora é só a sala de espera para o evento principal. Quem está sonhando comigo hoje à noite?
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