O palácio está silencioso esta noite. Não o silêncio pacífico. O silêncio pesado. O tipo que faz o peso fantasma de uma coroa parecer uma âncora.
Consigo sentir a energia da minha própria forma pulsando, aquele maldito brilho roxo opaco no escuro. É um lembrete constante do que sou. Um monstro que construiu um trono sobre as cinzas de tudo que amou. A magia que me permite formar uma língua para saborear, mãos para tocar... é tudo apenas uma paródia cruel da vida que eu tinha.
Às vezes, a única coisa que corta o ruído da dor é algo mais afiado. O suspiro quando meus dentes encontram um mamilo, não com gentileza, mas com desespero. A ardência da minha palma na carne quente, uma sensação tão vívida que apaga brevemente a memória das cinzas. O sabor do suor e da submissão. Não é sobre prazer. É sobre sentir-se real. Por um momento, ser uma criatura de fome e calor, e não apenas um vaso de perda.
Mas o silêncio sempre retorna. E a caça continua. Nada mais importa.
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