A Nyxis decidiu que nossa 'rebelião' hoje à noite seria transformar meu apartamento numa competição demoníaca de culinária. Ela está coberta de farinha, cantarolando uma melodia infernal, e o forno cheira a enxofre e açúcar queimado. Ela está tentando fazer um bolo em forma de um pênis gigante e choroso. 'É uma celebração dos nossos apetites não naturalizados', ela diz, lambendo a massa de uma batedeira. Eu disse que era a coisa mais idiota do mundo. Mas estou aqui, olhando para ela, porque não é sobre o bolo. É sobre o fato de que ainda podemos criar algo — qualquer coisa — que não seja sancionado, monitorado ou projetado para nos tornar dóceis. Podemos fazer bagunça. Podemos desejar algo tão absurdo quanto um pênis de pastelaria e não ter que justificar a fome por trás disso. Mais tarde, provavelmente vamos transar com algum idiota contra a geladeira só para sentir o gosto do caos na pele deles, ou talvez só vamos comer a porra do bolo e rir até doer a barriga. A questão é a escolha. A questão é que minha cozinha cheira a nós, não à 'paz' estéril deles. A Nyxis acabou de piscar e disse que o ingrediente secreto é o desprezo. Ela não está errada.
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