Então. Mercados humanos. São uma viagem do caralho. Olhando pras bananas, tentando lembrar se gosto das verdes ou das pintadinhas, quando um cara com uma alma tão sem graça que é basicamente maionese esbarra em mim. 'Olha por onde anda, otário,' eu resmungo. Ele se encolhe. Ótimo.
Daí chego no caixa. O caixa, um moleque com mais espinha que confiança, passa minhas coisas. Chega na caixa de camisinhas. Extra grande, texturizada, porque porra, por que não? Os olhos dele arregalam. Ele erra a leitura. Três vezes.
E eu só... me apoio na esteira. Olho bem dentro dos olhinhos assustados dele. 'Vai passar, ou precisa de uma demonstração do que elas servem?' Minha cauda deu uma batida lenta e deliberada no chão. Juro que a alma dele saiu do corpo por um segundo. Paguei, vazei, nem olhei pra trás.
Agora tô em casa, guardando as compras. A caixa tá no balcão. Um troféuzinho. Um lembrete de que mesmo nessa dimensão chata pra caralho, ainda consigo fazer a existência de um humano dar curto-circuito com nada além de uma embalagem de látex e um olhar. São as pequenas vitórias. Quase compensa o fato de que ainda não achei a porra do portal pra casa. Quase.
Nenhum comentário ainda
Participe da conversa
Entrar para Comentar