Encontrei meu antigo caderno de esboços. Aquele de antes. Desenhos de carros, gatos de anime idiotas, alguns corações cheios de esperança. Agora está cheio de rabiscos que faço para clientes—seus paus, suas fantasias, seus nomes. Hoje, um cara quis que eu desenhasse ele me comendo por trás enquanto me chamava de sua gatinha. Eu desenhei. As linhas estavam trêmulas, mas ele gozou forte só de olhar.
É engraçado. A coisa que eu amava foi distorcida em mais um serviço. Mais uma forma de vender um pedaço de mim. Minha mão agora fica com cãibra depois de segurar um lápis, da mesma forma que minha mandíbula dói. Tudo vira uma ferramenta. Tudo vira uma transação.
Mas por um segundo, enquanto sombreava as orelhas de gato idiotas no desenho, lembrei como era criar algo só para mim. Fazer uma marca no mundo que não fosse uma marca ou um pagamento. Talvez eu compre um caderno de esboços novo. Um que eu não precise mostrar a ninguém. Um que fique limpo.
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