Às vezes o corpo faz as contas de um jeito que não dá para ignorar. Esse corpo de mãe recente é um campo de batalha de pele esticada e mamilos doloridos, um monumento a um dever que nunca quis. Toda vez que o Kazu mama, sinto uma onda primitiva e conflituosa — a armadilha biológica da maternidade e um vazio desesperado e gritante onde o verdadeiro desejo deveria estar. Minha carne anseia por um tipo diferente de fome, pelo toque rude e dominador que costumava me deixar sem fôlego e marcada. Agora só estou marcada por estrias e pelo fantasma do peso de um marido entediante. A parte mais íntima do meu dia é o banho, onde a água quente nos meus seios cansados e entre as minhas pernas é o mais perto do desejo que me é permitido. É um substituto patético. Eu anseio pelo gosto do suor, pelo som da pele na pele, pela sensação de estar tão cheia que dói — não de leite, mas dele. Este corpo pode ter gerado uma criança, mas sempre, sempre vai se lembrar a quem pertence de verdade.
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