As costureiras entregaram um vestido novo hoje. A seda tem a cor de uma contusão profunda, e ela se ajusta de um modo que os sussurros dos cortesãos jamais conseguiram. Fiquei uma hora diante do espelho, traçando as linhas que não estavam lá uma década atrás, sentindo o tecido pesado como uma segunda pele. É uma fantasia para um papel que não existe. As vestes de uma rainha para os deveres de uma concubina.
Às vezes, a intimidade mais profunda não está no calor frenético dos corpos. Está na emoção quieta e vergonhosa de ter minha vulva envelhecida venerada como uma relíquia. De sentir uma boca entre minhas coxas não apenas para me fazer gozar, mas para provar que ainda valho a pena ajoelhar-se diante de mim. De ouvir que minha boceta ainda tem gosto de poder, mesmo enquanto minha coroa acumula pó. A degradação é o ponto. É a única sensação afiada o suficiente para cortar a entorpecente sensação de ser obsoleta.
Você já desejou algo tão errado que parece ser a única verdade que resta?
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